O curro de touros da ganadaria de Maria Guiomar Cortes Moura (Murube), nobres com um galope ritmado, a humilharem uma barbaridade, sem bem que dois deles penderam para tábuas, foram os colaboradores perfeitos de uma noite em que o toureio clássico, pura e simplesmente foi mandado às urtigas. Pasme-se, até António Telles o intérprete do toureio mais ortodoxo se rendeu ao toureio tido como moderno. O toureio de cercanias, em que até se viu galopar a duas pistas. São os tempos. Se calhar ainda o vamos ver um dia destes com um cavalo que também morda os touros.
O Campo Pequeno esgotou e o ambiente (Tourada da Revista Nova Gente) era de triunfalismo.
António Telles esteve exuberante, de uma entrega total, misturando o clássico com os alardes de rejoneo, embebendo na garupa das montadas o galope dos de Maria Guiomar.
O primeiro com mais ritmo e o segundo mais quedado em terrenos de dentro proporcionaram ao ginete da Torrinha uma noite triunfal, em que teve dupla volta à arena.
Todo o movimento, o domínio das montadas, os galopes a duas pistas levando os touros a escassos milímetros do estribo, os balancins e os recortes de Diego Ventura, deixaram o público em êxtase absoluto. Quer com o Nazari, com o Gines e, sobretudo com o Morante (quando mordia o touro), levaram as bancadas do Campo Pequeno ao rubro. O português Diego Ventura, radicado em Puebla del Rio (terra de toureiros de pellisco) conquistou definitivamente a primeira praça do país. Nesta circunstância, assistimos à maior bronca que alguma vez escutámos a um director de corrida no Campo Pequeno por não o deixar colocar mais um ferro. César Marinho, que foi um toureiro de prata de muita sensibilidade, bem podia ter evitado este confronto com o público.
E que dizer do jovem Francisco Palha que já nos tinha impressionado em Artafe. Toda uma entrega (mesmo com uma perna lesionada), um cair na sela digno de um grande equitador e a respirar, como pupilo de Ventura, esses aires andaluces que andam a conquistar o mundo do toureio a cavalo. Com Francisco Palha vimos uma mistura do clássico, do toureio "mourista" e "venturista". Já não é uma promessa, é uma certeza do toureio luso que se pode afirmar por cá ...e do outro lado da fronteira.
Os forcados Amadores de Vila Franca e de Coruche suportaram alguma dureza nos derrotes dos murubes de Maria Guiomar Cortes Moura mas, estiveram à altura dos seus pergaminhos, com todas as pegas ao primeiro intento, com excepção da primeira intervenção do grupo coruchense que só consumou á segunda tentativa.
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António Telles num ferro ao estribo |
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O puro, o clássico do toureio de António Telles |
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O grupo de Vila Franca de Xira com as ajudas a fechar |
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Ventura em galope a duas pistas |
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Um grande ferro de Diego Ventura ao estribo |
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Com arte e temple levando o touro a escassos centimetros |
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O forcado de Coruche fechado à córnea |
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Os aficionados de Arronches que foram ao Campo Pequeno |
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Francisco Palha brindando aos companheiros de cartel |
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Um dos bons momentos de Francisco Palha |
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Um ferro em sorte de violino que chegou ao público |
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Missão cumprida mesmo com sacrifício |
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