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sábado, 31 de agosto de 2019

Estremoz – Diversidade de conceitos de seis cavaleiros, onde brilharam os forcados, perante um curro de Paulo Caetano (5) e irmãos Moura Caetano (2), que cumpriram na generalidade

O grupo de Forcados Amadores de Arronches ontem à noite pegou a par do grupo de Monforte e Monsaraz a tourada que teve lugar em Estremoz e integrada nas Festas da cidade... e arrecadou mais um prémio.





Lidou-se um curro de Paulo Caetano e Irmãos Moura Caetano que cumpriram na generalidade e proporcionaram um espectáculo com seis cavaleiros de lides diversificadas e para todos os gostos. 
Miguel Moura e Parreirita Cigano com a sua irreverência a intrometeram-se no classicismo de Duarte Pinto, no toureio consentido e templado de João Moura Caetano e na ortodoxia de Francisco Cortes e António Brito Paes. 
O grupo de Forcados Amadores de Arronches que pegou o primeiro e quarto touros da noite cotou-se com a melhor e mais segura prestação (duas pegas ao primeiro intento através de João Cunha e Tiago Policarpo), daí que o júri tenha atribuído o Prémio para a ‘Melhor Pega’ ao grupo arronchenses.
A grande altura raiaram os Amadores de Monforte com dua pegas à primeira, sendo solistas Vítor Carreira e Nuno Toureiro e pelos Amadores de Monsaraz pegaram à 4ª tentativa Miguel Valido e André Mendes que se fechou numa rija pega ao primeiro intento.
Dirigiu o espectáculo o delegado técnico Marco Gomes, que decorreu em bom ritmo, tendo-se registado cerca de meia entrada nas bancadas da bonita praça estremocense.







sábado, 17 de agosto de 2019

António Pratas e Forcados de Arronches conquistam os prémios para a melhor lide e melhor pega em Monforte

Era aguardado com grande expectativa o curro de touros de ‘Pégoras’ pelo seu encaste Javier Camuñas (Jandilla), representada por Simão Freixo da Veiga que por duas vezes foi chamado a dar a volta à arena. O curro bem apresentado prestou-se ao luzimento dos toureiros com excepção do primeiro que lhe faltou classe, emparelhava com as montadas e apertava para dentro. Quanto ao sexto e último foi reservado, teve muito sentido e génio, adiantando-se por vezes às montadas. 

Duarte Pinto esteve por cima do seu primeiro que lhe faltou classe, emparelhava com as montadas e apertava para dentro.
Andou-lhe pela esquerda, colocou-se de frente e atacou o touro para deixar ferros com emoção. Veio a menos nos últimos dois curtos ao falhar a colocação. 

Nobre, voluntarioso e a cumprir bem, faltou-lhe alguma força que era notória no arrastar dos posteriores. Duarte aproveitou a nobreza do touro e construiu uma lide para aficionados, citando de frente, dando vantagem ao touro, colocando os ferros ao estribo e bem rematados.
Tiago Carreira que há alguns anos atrás surpreendeu os aficionados com o seu toureio, o que o levou a guindar-se a patamares superiores, de repente deixou de fazer parte dos cartéis de postin. 
Agora quer de novo ‘apanhar o comboio’ que lhe passou á porta. Esteve entregue e diligente como seu primeiro. Por vezes faltou mais temple no desenho das sortes mas não lhe faltou entrega. Em especial no seu segundo algo reservado e que buscou as tábuas no final da lide. Foi precisamente esse o factor de emoção da sua lide ao entrar pelo corredor, em terrenos de compromisso para deixar os ferros mais aplaudidos de um público que ainda não esqueceu o seu passado recente. 
Há toureiros e toureiros. Tanto na lide a pé como na lide a cavalo. Há os que aprendem a profissão e os que levam desde sempre o toureio na cabeça. António Pratas é um desses casos de aptidão para o toureio a cavalo. Bom equitador elege bem os terrenos aos touros e pratica um toureio que é do gosto dos aficionados e do público em geral. 
Perante o seu primeiro touro que fixou num palmo de terreno, preocupou-se em lidar, levando o touro embebido na garupa do cavalo, para depois deixar os ferros de muito boa execução. Para rematar a lide recorreu a um ferro com entrada ao pitón contrário que contagiou as bancadas. 
O seu segundo, sexto e último do festejo, lidou para aficionados e profissionais. O touro era reservado, denotava sentido, mostrando génio que nada tem a ver com a bravura. Sofreu alguns toques na montada mas, andou-lhe pela esquerda, para não adiantar-se nas reuniões e terminou em bom nível. 
A noite esteve propícia para os forcados do Ribatejo, Arronches e Monforte. Os Pégoras pediam grupos coesos, colocando a ‘carne no assador’, dando o corpo a touros que se pegavam já muito a trás, mesmo junto às tábuas.
Os Amadores do Ribatejo pegaram através de André Laranjinha e Bruno Inácio, ambos à primeira. O Grupo de Arronches arrancou as duas pegas da noite com os caras Luís Marques e João Rosa - que viria a conquistar o prémio em disputa. Já o grupo anfitrião de Monforte pegou o primeiro por Nuno Toureio numa rija pega e Gonçalo Parreira à terceira que mereceu chamada à arena do ajuda.
Monforte foi praça cheia (o que não se via há muito tempo) e dirigiu o espectáculo Marco Gomes com critério justo, assessorado pelo Dr. José Guerra.

















segunda-feira, 1 de julho de 2019

Zamora – Porta Grande para Ventura e Galán e uma orelha para João Telles, frente aos touros de Romão Tenório.

Depois do triunfo do ganadeiro arronchense na passada feira de Plasência ao cortarem 10 orelhas aos seus touros, a ganadaria do Monte do Tavares era aguardada com expectativa na corrida de rejoneo do dia 30 de Junho na Feira de Zamora. 




Cortaram-se seis orelhas e um rabo aos murubes de Romão Tenório. Cifra que podia ser melhor se Diego Ventura não perde de cortar mais duas no seu primeiro por não acertar com o rojão. Do mesmo se pode queixar João Telles que podia ter cortado uma orelha ao seu primeiro. Do curro que viajou de Arronches destaque para o bravo segundo (de nome Malagueño aplaudido no arraste), quarto e quinto. 
Sérgio Galán andou desenvolto com o seu primeiro (depois do excesso de capotazos) entendeu que os terrenos do touro eram os médios e não os de dentro. Variado na lide que rematou com um rojão e cortou a primeira orelha da tarde. Com o segundo raiou a maior altura com um toureio mais ajustado, colocando-se de frente nas sortes e adornando-se com os ferros de palmo. Levou o entusiasmo aos ‘tendidos’ e cortou duas orelhas.
Diego Ventura esteve magistral com o bravo ‘Malagueño’ com uma lide em que sacou o ‘Lio’ e o ‘Remate’ para uma lide que levou o delírio às bancadas, pelo ajuste nas sortes levando o touro ‘cosido’ ao estribo das montadas. Estava servido o ‘prato’ para que Ventura passeasse as orelhas do touro. Falhou com o rojão e posteriormente com o ‘descabello’. Ficou-se por uma grande ovação e o touro aplaudido no arraste pelas ‘mulillas’. 
Com o segundo do seu lote Ventura soube pelo conhecimento dos terrenos, absoluto domínio das montadas e como dar a volta ao público, com uma lide em sacou ao encastado touro tudo o que este tinha para lhe oferecer. Sabia que o ‘Nazari’ tinha essa capacidade para sacar o touro dos terrenos de dentro e levá-lo ajustado para os terrenos onde deixou ferros de grande emoção e exposição. Contudo a loucura chegou às bancadas quando tirou a cabeçada ao ‘Dólar’ para deixar os pares a duas mãos, conduzindo a montada apenas com as pernas. 
Ventura fez história na praça de Zamora quando o público de pé pedia a duas orelhas e o rabo que premiaram uma grande lide, só ao alcance dos privilegiados.
João Telles teve a colaboração do primeiro do seu lote para o seu toureio mais clássico. Deixou bons apontamentos do toureio frontal, entradas com leves batidas e por vezes com reuniões de exposição. Perdeu com o rojão aquilo que podia ser a sua primeira orelha.
Não estava fácil para o cavaleiro da Torrinha, mudar o rumo dos acontecimentos depois da triunfal actuação de Ventura. Sacou dos galões de uma dinastia toureira, entregando-se para que o público vibrasse com sortes variadas, em especial com um grande ferro em sorte de violino. Esteve certeiro com o rojão. Com toureria num verdadeiro desplante, esperou que o touro tombasse aos seus pés. Como prémio do seu labor, o público exigiu que o presidente Miguel Cepeda lhe conceda uma orelha. (Texto e fotos - Fernando Marques)








sábado, 15 de julho de 2017

Campo Pequeno - Regresso de Pablo dos "velhos" tempos e a magia do toureio de Manzanares

(Merecida volta em ombros e divisão de opiniões na saída pela Porta Grande)
Não pode existir um mano-a-mano entre duas formas de toureio. Como bem explicou o Maestro (Mestre) Mário Coelho no colóquio com que se iniciou esta noite memorável. Colóquio cujo tema "O que é ser Figura" se falou de ser ou não Maestro (Mestre) e se "enfrentaram" egos nos extremos da mesa. Mas adiante. Mário Coelho com clareza deixou dito em palavras sábias, que a base do toureio consiste na triologia: parar, templar e mandar, e isso, só no toureio a pé se pode conseguir, não num tércio de bandarilhas e muito menos no toureio a cavalo ou numa pega. Dito isto e por quem sabe do que fala, não pode existir competição entre um rejoneador e um toureiro a pé, como foi o caso de Pablo e Manzanares.


Pode isso sim, ao juntar-se num cartel duas figuras (toureiros consolidados ao longo das temporadas... e não com uma única) proporcionar um noite de emoções pelas lides de Pablo Hermoso e pelo toureio elegante de Manzanares. Um toureio feito de temple, de muletazos a fazerem parar os ponteiros dos relógios. Com a estética de cada lance ou muletazo de "barbilla en el pecho", de compasso aberto, carregando a sorte e com o mando de "muñecas" sublimes no lancear dos trastes de tourear.
Ao Campo Pequeno depois de algumas passagens menos conseguidas, voltou o Pablo Hermoso de Mendoza. O "velho" Pablo que trazia louca a afición portuguesa, com as suas lides "bebidas" nas águas de Monforte e sublimadas ao extremo. Noite memorável para o de Estella que se colocou de frente, entrando ao pitón contrário, consentindo e rematando os ferros ao estribo. Desfrutou com os galopes a duas pistas, com os recortes por dentro ou com as piruetas. O sorriso estampado no rosto dizia-nos tudo. Pablo reencontrou-se consigo e com o seu público do Campo Pequeno. Tudo com a excelente colaboração dos touros de António Charrua, com volta merecida para o ganadeiro.
Dos touros espanhóis que vieram para José Maria Manzanares, faltou o de Nuñez del Cuvillo, substituído por um de Benjumea e lidou-se os de Garcia Jiménez e Juan Pedro Domecq.
Foi um abanico de toureio de Manzanares, esse que ainda hoje se cantam nas suas faenas de Madrid (a Dalia de Victoriano del Rio) ou Sevilla (2012 com a Puerta del Príncipe), entre outras mais do seu historial de Figura do Toureio.
Manzanares esteve variado com o capote desde largas de joelhos em terra, chiquelinas com a marca "Manzanares", verónicas relantizadas, levando o touro embebido no capote ou os remates com reboleras de sabor "añejo". Mas foi com o quarto da noite que Manzanares pôs o Campo Pequeno de "boca-a-bajo". Faena daquelas que toureiro e aficionado desejam. Sapatilhas atornilladas na arena, embebendo o touro nos vôos da muleta que sacava à frente, relantizava na investida e ajustava-se em cada muletazo. Faena com séries por ambos os pitons, que rematava com esses passes de peito levando o touro pela frente para sacá-lo pela "ombreira” da jaqueta. Um delírio nas bancadas com o toureio a pé, no "reino do cavalo".
Ser figura não é só no toureio, é também na generosidade, e isso demonstrou-o Manzanares depois de parte de faena ao 6º de Juan Pedro Domecq em que carinhosamente convidou o novilheiro português “Cuqui” não só a intervir num quite, como em parte da faena de muleta. Bem esteve o delegado técnico ao não permitir que fosse Joaquim Ribeiro "Cuqui" a simular a estocada. Fê-lo Manzanares sem a "odiosa" bandarilha, mas com a mão, simulando a receber como tão bem executa.

Os forcados de Montemor com uma pega à primeira, outra à segunda e uma à quarta tentativa, completaram o cartel.
Lamentável a divisão de opiniões na volta em ombros de Manzanares e a saída pela Porta Grande, num país em que não se cortam orelhas nem se executa a sorte suprema. Tudo permitido por um regulamento que pode ocasionar situações destas, em que até Manzanares não se sentiu confortável.