terça-feira, 17 de março de 2015

Vicente Ruíz “El Soro” a capacidade de sofrimento e superação, reconhecidas pela afición de Valencia


Se algo tem o espectáculo dos touros que é diferenciador de todos os outros, seja no âmbito do desporto ou da arte, é a capacidade de sofrimento e de superação dos toureiros.
Ao longo da história do toureio, há múltiplos exemplos que atestam esta minha afirmação. Sem ir muito longe no tempo, o caso recente de Juan José Padilla.
Ontem em Valencia, nas suas Fallas e na corrida estrela do ciclo, tivemos esse exemplo de sofrimento e capacidade de superação de um toureiro que tantas vezes tive a oportunidade de ver tourear como Vicente Ruiz “El Soro”, ou o “lechuga” como era conhecido pelos valencianos e taurinos.
Esplá, Soro e Vitor Mendes, constituíram nos anos oitenta/noventa o fabuloso cartel dos Matadores/Bandarilheiros (se bem que Soro já vinha dos tempos de Paquirri) que, com o bilhete “ chico e o touro grande”, sem poderem escolher encastes, enchiam praças e muitas vezes eram a salvação das empresas, mesmo das grandes feiras.
Passaram mais de vinte anos sobre a lesão que El Soro sofreu em Montoro/Córdoba. Foram  anos de sofrimento e mais de trinta intervenções cirúrgicas. Ontem, depois de já o ter reivindicado na passada temporada, voltou a pisar o ruedo da praça da Calle Játiva na sua Valencia, onde tantos triunfos conheceu desde os tempos de novilheiro.
Este ano, Simón Casas deu-lhe a oportunidade de regressar à sua praça num cartel de luxo com Ponce e Manzanares. Limitado de faculdades mas com a mesma garra desse sorismo feito de irreverência, os pares de molinillo e o encimismo do seu toureio, que sempre o acompanhou, esteve digno, realizou o sonho e teve o carinho dos seus conterrâneos. Que fique por aqui já é um grande triunfo…




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