sábado, 5 de agosto de 2017

Redondo com casa cheia, cartel apetecível... mas menos touro

Montar por vezes uma tourada daquelas que habitualmente assistimos ao longo do país, não é forçosamente obrigatório colocar no cartel os nomes mais sonantes.



A equipa formada pelos membros da Associação Tauromáquica Redondense, teve a capacidade de juntar num cartel a frescura de cavaleiros jovens, repetir um curro de novilhos/touros com provas dadas nesta praça, adicionar-lhe três grupos de forcados alentejanos e mobilizar público e aficionados. 
No final, ontem foi casa cheia. Estava à espera dos touros em tipo Torrestrella/Domecq e estes (novilhos) estavam fora desse tipo. Talvez por ainda recordar os de procedência de Laurentino Carrascosa (anos oitenta) que tão bons momentos deram a toureiros e aficionados. Este curro foi completamente diferente em “echuras” e comportamento dos lidados anteriormente (5 de Outubro de 2016) no Coliseu do Redondo com quatro anos cumpridos e de comportamento interessante.
O primeiro foi mansote, o segundo nobre a que faltou transmissão e o terceiro reservado e de curtas investidas. Mas menos potáveis foram os da segunda parte, com o quarto que faltou transmissão, o quinto a esperar e colocar-se pela frente dos cavalos e o sexto também reservado nas suas investidas.
No conjunto das duas lides Marcos Tenório foi sem sombra para dúvidas, em minha opinião, o que mais perto esteve de ter uma noite redonda. Muito por cima da manifesta mansidão do seu primeiro, deixou dois ferros curtos de muito boa nota. No segundo saiu decido a rematar com êxito a sua presença neste cartel com a frescura de jovens cavaleiros. Foi à porta dos curros para receber, elegeu muito bem os terrenos e colocou com a sua habitual entrega, aquilo que faltou ao novilho/touro, ou seja a transmissão… e com isso chegou às bancadas. Viria a terminar com um excelente par de bandarilhas.
Se algum touro se destacou mais, foi o primeiro de João Telles pela nobreza, embora lhe faltasse alguma transmissão. João entendeu muito bem o seu opositor e com um toureio ligado e com algo de empolgante nas sortes, chegou com facilidade às bancadas. Ao contrário do segundo que foi o mais complicado, vindo das bandas de Serpa, que se colocava pela frente dos cavalos e esperava muito. João insistiu demasiado nas batidas a um touro que esperava, tendo por isso muitas passagens em falso. A insistência levou a duas colhidas desnecessárias da montada. Por vezes para lá do pundonor e da “verguensa torera” tem que haver o discernimento e saber quando terminar as lides.
Duarte Pinto teve pela frente dois exemplares de Varela Crujo reservados e com pouca transmissão. Eram novilhos a que era necessário atacar e, por vezes, os quarteios foram demasiado abertos. Quando se ajustou mais, tivemos um Duarte a chegar ao público e colocar em prática o seu toureio mais em moldes ortodoxos.
Não facilitaram a vida (a exemplo do 5 de Outubro do ano passado), os de Varela Crujo aos forcados. Ora tardos na saída das tábuas, ora violentos nas reuniões, pondo à prova os forcados alentejanos.
Por Portalegre pegaram André Peres e António Cary à primeira tentativa. Vítor Carreira e João Pereira (uma rija pega) à segunda pelo grupo de Monforte e Hugo Figueira e Luís Messias que viria a conquistar o prémio, ambos à primeira pelo grupo do Redondo.
Os prémios para a melhor lide (Simão da Veiga Jr.) e melhor pega (Miguel Alves) foram atribuídos pelo júri respectivamente a Marcos Bastinhas e Luís Messias do grupo do Redondo. Como sempre o júri decide mas o público tem os seus eleitos, mesmo que estes não tenham sido os melhores.
O prémio a Marco Bastinhas não podia ter contestação por aquilo que se viu na sua lide. Dirigiu o espectáculo que teve ritmo e sem incidentes, Marco Gomes. 
Apenas uma nota. Sempre apreciei e aprecio o trabalho dos campinos. Foi com a família Piúça (Barroca D'Alva) que aprendi algo sobre o touro no campo. É louvável a sua presença nesta tourada mas, desnecessária aquela persistência em querer sacar o novilho para fora da porta dos curros, quando esse trabalho podia (como foi) feito com mais eficácia pelos bandarilheiros.



















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